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segunda-feira, 24 de outubro de 2011

Qual seria a formação do tutor? Trecho do artigo " A importância do Tutor no Processo de Aprendizagem a Distância " de Regina Barros Leal, publicado na Revista Iberoamericana de Educación ( ISSN: 1681-5653)

        A nosso juízo, o tutor teria uma formação acadêmica definida por sua experiência em educação, sua titulação acadêmica, seu conhecimento didático-pedagógico. Talvez seja imprescindível que tenha experiência no ensino presencial. Quem sabe, assim poderia compreender a diversidade dos sujeitos  e a complexidade e singularidade do processo de aprendizagem e as diferentes teorias.Além desse perfil, um tutor teria que entender o encantamento do processo de aprendizagem para se apaixonar por sua atividade docente, principalmente pela distância real de contatos presenciais. EAD não se limita a um processo informativo.
        Toda e qualquer experiência pedagógica não prescinde de um processo metodológico que a coloca em movimento, ao qual subjaz uma concepção que se objetiva em um plano, um método, porém, não se reduz a ele ( ao processo metodológico). O que garante a qualidade de um processo de  trabalho de caráter pedagógico é a congruência entre seus elementos: concepção, conhecimento específico e organização didático-metodológica.
       Entretanto, pensamos que é importante refletir e discutir mais profundamente sobre o método, as estratégias que conduzem ao debate criativo.Essa questão também nos remete  ao conceito de Poiesis como ato criativo (mesma raiz de "poesia "); a vida é autopoiética, ela cria, ela inventa e reinventa a si própria. Alguém poderia perguntar: Mas o que tem isso a ver com EaD? Eu diria, sem me arvorar de nenhuma certeza, talvez essa seja uma reflexão  necessária para não perdermos de vista os caminhos para reivenção.
      Qual é, em essência na visão acadêmica, o papel do Tutor? Seria um Tutor/professor/andragogo com competência para organizar pesquisas criativas, situações provocativas do ato criador nesse universo de possibilidades que é a EAD. Muitas  são as denominações.Mas a todo custo devemos evitar a formação de um Tutor que reproduza a fragmentação do saber, a cultura de lotes de conhecimento. É fundamental garantirrmos uma formação que sustente a compreensão da prática educativa em que seus elementos fundantes se inspirem numa concepção do belo, da unicidade, da estética, das possibilidades circunscritas na relação educardor-educando baseada no diálogo, no encontro com o outro. Por ser diferente, ensino a distância exige habilidades diferenciadas, principalmente com a introdução de novas tecnologias. É um sistema peculiar de educação, daí a necessidade de uma sólida formação acadêmica.
      E sobre a relação tutor-aluno ? Ambos são protagonistas. Uma proposta de ensino que estabeleça em seu cerne, uma separação entre educador educando, já indica um caminho autoritário, linear.Daí, o desafio permanente da EAD.
      Chamamos aetnção para uma reflexão que nos parece interessante. Não seria cabível discutir outro paradigma? Pensamos em um modelo de EAD que contemplasse o papel do tutor como um professor, que mesmo a distância não estivesse distante de seus alunos. Um tutor presente no processo : relatando experiências, conferenciando, orientando leituras, pesquisas, compartilhando com os alunos estratégias de ensino, escolhendo com alunos material de pesquisa, temas para debates  no fórum, construindo conhecimento. Entretanto os tutores teriam monitores. Alunos que podem assumir algumas atividades a distância, que colaborassem com o Tutor e, nesse contexto, as escolhas, aos diálogos  entre alunos e monitores e Tutor fortaleceria, quem sabe, a a atividade acadêmica. Juntos, tutores, monitores e alunos, poderiam apresentar sugestões temáticas, metodológicas e operacionais no sentido de fortalecer  o processo participativo.
       Nesse modelo poderíamos criar uma forte motivação para os alunos que expressassem interesse na EAD e estaríamos preparando também, ao longo do processo, futuros tutores. Seria um modelo similar ao sistema de monitoria da universidade no ensino presencial.
        Enfim, as questões expressas no texto refletem a nossa preocupação com relação à formação do Tutor. Foi nossa  intenção instigar reflexões mesmo que também estejam presentes no ensino presencial. Nossa crença é que a EAD, é diferenciada em seus meios mas não se desvencilha, em sua essência, das dimensões presentes no processo educativo. Dessa forma, reafirmamos que " a pedagogia de possibilidades cria um espaço fecundo, poque é trabalhando com as  as possibilidades que revelamos nossa crença nas pessoas, no potencial criativo (LEAL, 1997) .
     
    

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